Benefícios e desafios da adoção de criptomoeda pelo Governo Federal.

Sendo uma tendência evolutiva, é importante que o governo federal adquira conhecimento a respeito de criptomoeda para evitar a perda da independência monetária, com a eventual incapacidade de emitir uma criptomoeda nacional, ou a perda do controle, se uma moeda não governamental vier a ser adotada por uma parte significativa da economia.

A hipótese mais animadora do cenário da criptomoeda governamental seria a possibilidade do governo possuir duas moedas oficiais ao mesmo tempo, criando um momentum de alavancamento da economia com ótimo fundamento mercadológico.

Nesse ponto, o governo federal possui uma experiência similar, quando da transição do Cruzeiro Real para Real, quando no Brasil existiram duas moedas ao mesmo tempo, a oficial e a Unidade Real de valor (URV), que funcionou como uma grande ferramenta de desindexação da economia; sobre esse aspecto, a criptomoeda lançada pelo governo com monitoração e lastro de confiança poderia funcionar como a URV e ajudar no combate à inflação.

A estrutura lógica da economia da criptomoeda, usando como exemplo o Bitcoin, trabalha com alguns atores: (1) usuários, (2) nós de rede e (3) mineradores. Num esquema normal de transação via critpomoeda, os usuários adquirem criptomoedas de outros usuários seja por compra seja por outros meios, já que não existe uma autoridade central emitindo tais criptomoedas.

Esses usuários trocam as criptomoedas (independente se por papel-moeda ou se por bens/serviços), essas informações ficam registradas nos nós de rede, esse registro é feito pelos mineradores que são premiados por isso.

Muitos problemas advêm da não existência de criptomoedas oficiais. O mais percebido em todos os artigos revisados é a facilidade para cometimento de crimes financeiros, mas outros estruturais começam a preocupar a academia.

O fato de não haver um controle oficial das critpomoedas permite que o comércio, especialmente o internacional, seja realizado fora do sistema financeiro normal, o que leva a perigos estruturais que vão desde a desinformação sobre o nível da atividade econômica, até uma desiquilíbrio artificial do câmbio, sem falar da evasão de divisas e elisão fiscal.

Mas a hipótese mais impactante ao atual modelo econômico-financeiro é uma evolução gradual do uso de criptomoedas levando a países de economia estruturada a se sentirem obrigados a criarem suas próprias criptomoedas sob risco de perderem o controle de suas economias, criando uma ou algumas criptomoedas que contariam com o lastro de confiança de bancos centrais (ou mesmo que seja um banco central) o que mudaria totalmente a dinâmica das criptomoedas, saindo da sombra das redes sociais para tomar corpo com uma solução global para comércio sem o uso de moeda tradicional, o que levaria aos grandes atores da economia mundial a uma possibilidade de adotarem tal moeda como meio de transações, como já é feito com as criptomoedas não oficiais.

Nessa hipótese, o Brasil poderia perder sua independência monetária, já que produtos e serviços sendo consumidos sem limitações com uma criptomoeda gozando da confiança de um grande banco central, poderia levar muitos usuários a preferirem a criptomoeda ao real.

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