Enquanto no Brasil o número de bilionários cresceu 38,1%, na vizinha Argentina caiu 44,1%.

O número de bilionários no Brasil cresceu 38,1% no ano passado, na segunda maior alta entre 43 países pesquisados pelo UBS, o banco suíço que faz a gestão de fortuna de boa parte dos mais ricos no mundo, e pela consultoria PwC.

Segundo o estudo, o número de brasileiros com fortuna acima de US$ 1 bilhão passou de 42, em 2017, para 58, em 2018, mas três da lista anterior foram excluídos porque suas fortunas ficaram, agora, abaixo do valor.

Somente Filipinas teve alta maior, de 41,7%, com 17 bilionários. Já na China, uma das economias que continua a mais crescer no mundo, o grupo de bilionários diminuiu 12,9% no ano passado.

A fortuna somada dos bilionários brasileiros alcançou US$ 179,7 bilhões em 2018, numa alta de 1,7% comparado a 2017, enquanto os valores dos bilionários globalmente caíram 4,3%. O estudo não dá explicações sobre o surgimento de mais bilionários no país.

UBS e PwC mostram que no Brasil apenas 43% dos bilionários são ”self-made man”, ou seja, enriqueceram por esforço próprio e não graças a herança, por exemplo. É o menor percentual comparado aos outros países latino-americanos pesquisados.

Empresários bilionários

O relatório procura mostrar que companhias listadas na bolsa dirigidas por bilionários têm um desempenho bem melhor do que aquelas dirigidas por executivos menos ricos, e forneceriam maiores benefícios econômicos à sociedade.

Numa comparação de 600 empresas listadas na bolsa, globalmente, UBS e PwC concluem que as ações de companhias controladas por bilionários valorizaram 17,8% entre 2003-2018 comparado a 9,1% nos mercados globais, ou quase duas vezes a desempenho anual do mercado.

Segundo o UBS, isso ocorre porque os bilionários têm tomada de risco inteligente, foco no negócio e determinação. A metodologia usada considera controle quando se tem pelo menos 20% das ações ou 30% dos direitos de voto de uma companhia.

Entre 2013-2018, a fortuna dos bilionários globalmente cresceu 34,5%, alcançando US$ 8,5 trilhões. No entanto, o valor total diminuiu 4,3% em 2018 por causa do dólar forte e volatilidade nas bolsas.

Tecnologia é o único setor onde a fortuna dos bilionários cresceu em 2018, numa alta de 3,4% e alcançando US$ 1,3 trilhão.

Enquanto no Brasil o número de bilionários cresceu 38,1%, na vizinha Argentina caiu 44,1%, sendo, agora, apenas 5 com fortunas somadas de US$ 10,5 bilhões – valor 30,1% inferior ao do ano anterior.

Se no Brasil apenas 43% dos bilionários são ”self-made man”, esse percentual aumenta na Argentina (60%), México (53%), Chile (45%), e Peru (67%), ou ainda na China (98%), Rússia (100%) e Índia (58%), parceiros no Brics, o grupo dos grandes emergentes.

Bilionários crescem no Brasil, apontam UBS e PwC